Novo exame para câncer de intestino no SUS passa a ser usado no rastreamento. Entenda como funciona o FIT e quando a colonoscopia continua sendo necessária.
O SUS passou a adotar o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como estratégia de rastreamento do câncer colorretal em pessoas assintomáticas de 50 a 75 anos. A novidade amplia o acesso à detecção precoce, mas também levanta uma dúvida importante: se existe um exame de fezes para procurar sinais da doença, a colonoscopia ainda é necessária?
A resposta é sim, em determinadas situações. O FIT e a colonoscopia não têm exatamente a mesma função. Enquanto o primeiro é utilizado como uma estratégia inicial de rastreamento, a colonoscopia permite examinar diretamente o intestino e investigar alterações encontradas no processo. Entender essa diferença ajuda a evitar tanto o medo desnecessário quanto a falsa sensação de que um exame substitui completamente o outro.
O que é o novo exame para câncer de intestino no SUS?
O novo exame é o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), que identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que não podem ser percebidas a olho nu.
Esse sangue pode estar relacionado a diferentes alterações no intestino, incluindo pólipos, lesões pré-cancerígenas e câncer colorretal. O exame utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano nas fezes.
No SUS, a estratégia foi definida para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. A proposta é utilizar o teste como uma ferramenta de rastreamento, ou seja, para procurar sinais da doença em pessoas que não apresentam sintomas.
Essa distinção é fundamental: um exame de rastreamento não substitui a avaliação médica quando existem sintomas ou outros fatores que aumentam o risco.
Se o FIT existe, ainda preciso fazer colonoscopia?
Depende da situação.
O FIT e a colonoscopia cumprem papéis diferentes no rastreamento do câncer colorretal.
O teste de fezes é uma maneira menos invasiva de procurar sinais que possam indicar a necessidade de uma investigação mais detalhada. Já a colonoscopia permite visualizar diretamente o interior do reto e do cólon, identificar alterações e, em determinadas situações, realizar procedimentos durante o próprio exame, como a retirada de pólipos.
Por isso, não é correto dizer que o novo exame do SUS “substituiu” a colonoscopia.
Na verdade, eles podem fazer parte de etapas diferentes da mesma estratégia de prevenção e diagnóstico.
As diretrizes brasileiras em desenvolvimento recomendam a realização de colonoscopia para investigação diagnóstica após um FIT de rastreamento com resultado positivo.
Se o FIT existe, ainda preciso fazer colonoscopia?
Um resultado positivo significa que foi detectado sangue oculto nas fezes. Isso não significa, por si só, que a pessoa tenha câncer.
Existem diversas possíveis causas para a presença de sangue, e é justamente por isso que o resultado precisa ser investigado.
Quando o FIT apresenta resultado positivo, a próxima etapa é a avaliação por colonoscopia. O objetivo é identificar de onde vem o sangramento e verificar se existem pólipos, lesões ou outras alterações no intestino.
É importante não interromper a investigação depois do resultado positivo. O benefício do rastreamento depende justamente da continuidade do processo até que a causa seja esclarecida.
E se o resultado do FIT for negativo?
Um resultado negativo indica que não foi identificado sangue oculto na amostra analisada.
Isso é uma informação importante, mas não significa que a pessoa esteja protegida contra o câncer colorretal ou que nunca precisará de uma colonoscopia.
O rastreamento precisa seguir a estratégia indicada para cada pessoa. Além disso, o surgimento de sintomas deve ser avaliado independentemente de um resultado anterior do FIT.
Essa é uma das principais diferenças entre rastreamento e investigação diagnóstica.
Quem tem sintomas deve fazer o FIT e esperar o resultado?
Não necessariamente.
O novo protocolo do SUS foi pensado para o rastreamento de pessoas assintomáticas dentro da faixa etária definida.
Isso significa que a presença de sintomas muda a situação.
Sangramento nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, perda de peso sem explicação, anemia, dor abdominal persistente ou outras alterações devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Nesses casos, o objetivo não é simplesmente rastrear uma doença em uma pessoa sem sintomas, mas investigar o que está causando os sinais apresentados.
Quando existem sintomas sugestivos ou quando um exame de rastreamento apresenta alguma alteração, podem ser necessários exames diagnósticos, incluindo a colonoscopia.
A colonoscopia ainda é importante na prevenção do câncer colorretal?
Sim.
Uma das características importantes da colonoscopia é permitir a avaliação visual do intestino e a identificação de pólipos e outras alterações.
Isso tem relevância porque muitos cânceres colorretais se desenvolvem a partir de pólipos que sofrem alterações ao longo do tempo. A identificação dessas lesões permite que o médico determine a melhor conduta e, quando indicado, realize sua retirada durante o exame.
Por isso, a chegada do FIT ao SUS representa uma ampliação das possibilidades de rastreamento, e não o fim da importância da colonoscopia.
Inclusive, recomendações internacionais atualizadas continuam considerando tanto os testes baseados nas fezes quanto os exames visuais, como a colonoscopia, entre as estratégias de rastreamento. Quando um teste de rastreamento que não seja a colonoscopia apresenta resultado positivo, a colonoscopia deve ser realizada para completar a investigação.
FIT ou colonoscopia: qual é o melhor?
Essa pergunta não tem uma resposta única para todas as pessoas.
O mais importante é compreender que o melhor exame depende do objetivo, do risco individual e da orientação médica.
Para a população assintomática de 50 a 75 anos contemplada pelo novo protocolo do SUS, o FIT passa a ser uma ferramenta importante de rastreamento.
Já pessoas com sintomas, histórico familiar relevante, antecedentes pessoais de pólipos ou câncer colorretal e outras condições que aumentem o risco podem precisar de uma estratégia diferente.
Por isso, não é recomendável escolher um exame apenas porque ele parece mais simples ou menos invasivo. A decisão deve considerar o histórico de cada paciente.
O novo exame aumenta a importância da prevenção
A incorporação do FIT ao SUS é uma mudança relevante porque cria uma nova possibilidade de ampliar o rastreamento do câncer colorretal entre pessoas que ainda não apresentam sintomas.
Mas o maior benefício não está apenas em realizar o exame. Está em completar corretamente cada etapa quando existe uma alteração.
Um FIT positivo precisa ser investigado. Uma pessoa com sintomas precisa ser avaliada. E quem apresenta fatores de risco pode precisar de uma estratégia de rastreamento individualizada.
Portanto, a resposta para a pergunta “ainda preciso fazer colonoscopia?” é: em algumas situações, sim — e o novo exame de fezes não elimina essa necessidade.
Quando procurar um coloproctologista?
A avaliação especializada é especialmente importante diante de sintomas intestinais persistentes, alterações nos exames, histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos e outras situações que possam aumentar o risco da doença.
O rastreamento pode começar com um exame simples, mas o cuidado com a saúde intestinal não termina nele.
Se você está na faixa etária indicada para o rastreamento ou tem alguma alteração intestinal, converse com um médico para entender qual estratégia é mais adequada para o seu caso. Detectar alterações precocemente pode fazer diferença no tratamento e nos resultados.
Conte comigo neste processo!
Dr. Fernando Zanchet
É coloproctologista, especialista no tratamento do câncer colorretal, com técnicas minimamente invasivas, através da videolaparoscopia e da cirurgia robótica.
Formou-se em Medicina pela UFRGS. Realizou residência médica em Cirurgia Geral no Hospital São Lucas da PUCRS e residência médica em Coloproctologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
É sócio fundador e Coloproctologista do CITRADI - Centro de Tratamento do Aparelho Digestivo em Santa Rosa/RS.
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Site: drfernandozanchet.com.br
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