Nem toda alteração percebida na região anal é uma hemorroida. O plicoma anal é uma sobra de pele que pode permanecer após processos inflamatórios, como crises de hemorroidas ou fissuras, e em alguns casos provocar desconforto, dificuldade de higiene e incômodo ao paciente. Embora geralmente seja uma condição benigna, é importante realizar uma avaliação especializada antes de definir qualquer tratamento.
O plicoma anal é uma prega ou excesso de pele localizado na região ao redor do ânus. Em muitos casos, ele surge após a redução de um inchaço causado por uma crise de hemorroida, fissura anal ou outro processo inflamatório.
Quando o processo inflamatório diminui, a pele pode não retornar completamente ao seu estado original, permanecendo uma pequena sobra na região.
O plicoma pode apresentar diferentes tamanhos e formatos. Pode ser único ou aparecer em mais de um ponto e, geralmente, não provoca dor.
É importante destacar que o plicoma não deve ser confundido automaticamente com hemorroida. Enquanto a doença hemorroidária envolve estruturas vasculares do canal anal, o plicoma corresponde essencialmente a uma alteração da pele.
Por isso, diante do surgimento de um caroço ou alteração na região anal, o diagnóstico deve ser realizado por um profissional especializado.
Plicoma anal causa sintomas? Quando é preciso se preocupar?
Em muitos casos, o plicoma não causa nenhum problema além da alteração visual. Porém, algumas pessoas relatam desconforto, sensação de excesso de pele, dificuldade para realizar a higiene após evacuar ou irritação na região.
O tamanho da alteração também pode influenciar. Plicomas maiores podem dificultar a limpeza adequada e favorecer o acúmulo de resíduos na região, causando irritação e desconforto.
Outro ponto importante é que uma alteração percebida pelo paciente como “plicoma” pode, na verdade, ser outra condição. Hemorroidas, fissuras, fístulas, lesões inflamatórias e outras alterações da região anal podem apresentar características semelhantes.
Por isso, não é recomendável tentar identificar a causa apenas pela aparência.
A avaliação com um coloproctologista permite diferenciar o plicoma de outras doenças e determinar se existe alguma condição associada que também precisa ser tratada.
Quando o plicoma anal precisa ser tratado?
Nem todo plicoma precisa ser removido.
Quando não provoca sintomas ou prejuízos à qualidade de vida, geralmente não há necessidade de intervenção. O tratamento é considerado principalmente quando existe desconforto significativo, dificuldade de higiene, irritações recorrentes ou quando a alteração interfere na rotina do paciente.
A remoção do plicoma é realizada por meio de um procedimento cirúrgico, cuja indicação e técnica dependem do tamanho, localização e características da alteração.
Em alguns pacientes, a remoção pode ser realizada isoladamente. Em outros, é importante investigar e tratar também a condição que contribuiu para o surgimento do plicoma, como hemorroidas ou fissura anal.
A decisão deve ser individualizada após avaliação médica.
O tratamento precisa ser cirúrgico?
Quando existe indicação de remoção, o procedimento é cirúrgico. O procedimento pode ser realizado tanto de maneira tradicional, com o uso bisturi e eletrocautério, ou através da lasercirurgia anal, com o uso do Laser de CO2.
O planejamento depende das características de cada paciente e da extensão da alteração. O objetivo é remover o excesso de pele preservando ao máximo os tecidos saudáveis da região anal.
Também é importante conversar com o especialista sobre o período de recuperação. Por se tratar de uma região naturalmente submetida ao contato com fezes e ao movimento durante as evacuações, os cuidados após o procedimento são fundamentais para uma boa cicatrização.
Além disso, quando o plicoma está associado a outra doença anal, o tratamento pode precisar ser planejado de maneira conjunta.
Plicoma anal é a mesma coisa que hemorroida?
Não. Essa é uma das dúvidas mais comuns.
O plicoma é uma sobra de pele, enquanto as hemorroidas correspondem a estruturas vasculares que podem aumentar, inflamar ou prolapsar.
As duas condições podem aparecer próximas e até coexistir, o que explica parte da confusão.
Além disso, estudos mostram que alterações como fissuras e skin tags podem ser confundidas com hemorroidas quando o diagnóstico não é realizado adequadamente.
Por isso, antes de escolher qualquer tratamento, é fundamental entender exatamente qual é a causa da alteração.
O diagnóstico correto é o primeiro passo para o tratamento
Perceber um caroço, uma sobra de pele ou qualquer alteração na região anal pode causar preocupação, mas nem sempre significa que existe uma doença grave.
Ao mesmo tempo, não é recomendado tentar tratar a alteração por conta própria ou assumir que se trata de uma hemorroida.
A avaliação com um coloproctologista permite identificar a origem do problema, verificar se existem outras doenças associadas e definir se há necessidade de tratamento.
Se uma alteração na região anal causa desconforto, dificulta a higiene ou gera dúvidas, não precisa conviver com ela sem saber o que fazer. Procure uma avaliação especializada e descubra qual é a melhor conduta para o seu caso.
Dr. Fernando Zanchet
É coloproctologista, especialista no tratamento do câncer colorretal, com técnicas minimamente invasivas, através da videolaparoscopia e da cirurgia robótica.
Formou-se em Medicina pela UFRGS. Realizou residência médica em Cirurgia Geral no Hospital São Lucas da PUCRS e residência médica em Coloproctologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
É sócio fundador e Coloproctologista do CITRADI - Centro de Tratamento do Aparelho Digestivo em Santa Rosa/RS.
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Site: drfernandozanchet.com.br
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