Câncer colorretal em adultos jovens: por que os casos estão aumentando?

Paciente internado sendo avaliado por equipe médica

Durante muito tempo, o câncer colorretal foi associado principalmente ao envelhecimento. Porém, esse cenário está mudando. O aumento dos casos em pessoas mais jovens vem sendo observado em diferentes países e já é considerado uma importante questão de saúde pública. No Brasil, o câncer de cólon e reto está entre os tumores mais incidentes, reforçando a importância de conhecer os sinais da doença e buscar avaliação quando houver indicação.

Estudos epidemiológicos recentes demonstram uma tendência de crescimento do câncer colorretal de início precoce, definido geralmente como aquele diagnosticado antes dos 50 anos.

Dados publicados pela American Cancer Society mostram que, nos Estados Unidos, a incidência do câncer colorretal está aumentando cerca de 2,9% ao ano entre pessoas abaixo dos 50 anos nos últimos anos. Em adultos com idade entre 50 e 64 anos, a incidência aumentou 0,4% por ano neste mesmo período.

O fenômeno também chama atenção no Brasil. Uma publicação recente da Revista Brasileira de Cancerologia, ligada ao INCA, destaca o aumento dos cânceres diagnosticados antes dos 50 anos e aponta crescimento de casos de câncer colorretal entre pessoas mais jovens no país.

Isso não significa que todo jovem tenha alto risco de desenvolver a doença. Mas mostra que a idade, sozinha, não deve ser utilizada para descartar determinados sintomas.

Por que isso está acontecendo?

Essa é uma das principais perguntas dos pesquisadores, e ainda não existe uma única resposta.

O aumento provavelmente está relacionado a uma combinação de fatores. Entre os aspectos estudados estão obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, consumo de alimentos ultraprocessados, alterações metabólicas, histórico familiar e outros fatores ambientais e relacionados ao estilo de vida.

Entretanto, é importante destacar que a ciência ainda investiga quais mecanismos estão por trás desse crescimento.

Por isso, não seria correto afirmar que existe uma causa isolada responsável pelo aumento do câncer colorretal em adultos jovens.

O mais importante é reconhecer que determinados fatores podem aumentar o risco e que algumas pessoas precisam de investigação mesmo antes da idade tradicionalmente associada ao rastreamento.

Quais sintomas não devem ser ignorados?

Médico conversando com paciente em ambiente hospitalar

Um dos maiores desafios do câncer colorretal em pessoas jovens é que os sintomas podem ser confundidos com problemas considerados simples, como hemorroidas, alterações alimentares ou intestino preso.

Entre os sinais que merecem avaliação médica estão:

  • Sangue nas fezes ou sangramento ao evacuar;
  • Mudanças persistentes no funcionamento do intestino;
  • Diarreia ou constipação que não melhoram;
  • Alteração no formato das fezes;
  • Dor ou desconforto abdominal recorrente;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Cansaço ou anemia sem explicação definida.

A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer. Existem diversas condições benignas que podem provocar manifestações semelhantes.

O problema está em ignorá-los ou atribuir automaticamente os sintomas a uma causa sem realizar uma avaliação adequada.

Quem precisa investigar antes dos 45 anos?

Para pessoas com risco habitual e sem sintomas, as recomendações de rastreamento podem variar conforme o país e a sociedade médica. A American Cancer Society recomenda atualmente que o rastreamento regular para adultos de risco médio comece aos 45 anos.

Entretanto, pacientes com maior risco podem precisar iniciar a investigação mais cedo e realizar exames com maior frequência.

Entre os principais fatores que podem antecipar essa avaliação estão:

  • Histórico familiar de câncer colorretal;
  • Histórico pessoal de pólipos ou câncer colorretal;
  • Doenças inflamatórias intestinais;
  • Síndromes hereditárias relacionadas ao câncer colorretal;
  • Determinados fatores familiares que aumentam o risco.

Além disso, pessoas que apresentam sintomas suspeitos devem procurar avaliação médica independentemente da idade.

Portanto, não existe uma idade universal que permita ignorar sintomas. A indicação de investigação deve considerar o histórico e as características individuais de cada paciente.

A colonoscopia continua sendo uma importante ferramenta de investigação

Profissional de saúde preparando colonoscópio para exame

Quando existe indicação médica, a colonoscopia permite examinar diretamente o interior do intestino grosso e identificar alterações como pólipos, inflamações e tumores.

Uma das grandes vantagens do exame é que determinadas lesões podem ser identificadas e removidas durante o próprio procedimento, dependendo de suas características.

Por isso, a colonoscopia tem papel importante tanto na investigação de sintomas quanto no rastreamento de pessoas que apresentam indicação para o exame.

O objetivo não é realizar exames indiscriminadamente em pessoas jovens, mas identificar quem realmente apresenta indicação para uma investigação antecipada.

Diagnóstico precoce pode mudar o caminho do tratamento

Descobrir um câncer colorretal em uma fase inicial pode fazer uma diferença significativa no tratamento.

Quando o tumor ainda está localizado e não apresenta disseminação para outros órgãos, existem mais possibilidades terapêuticas e melhores perspectivas de controle da doença.

Além disso, os avanços na cirurgia colorretal possibilitaram tratamentos cada vez mais precisos. Em pacientes com indicação cirúrgica, técnicas minimamente invasivas, como a videolaparoscopia e a cirurgia robótica, podem ser utilizadas de acordo com as características de cada caso.

A escolha do tratamento depende do estágio da doença, localização do tumor, condições clínicas do paciente e avaliação da equipe especializada.

Diagnóstico precoce pode mudar o caminho do tratamento

O aumento dos casos de câncer colorretal em adultos jovens reforça uma mensagem importante: sintomas persistentes não devem ser ignorados apenas porque o paciente ainda não chegou aos 50 anos.

A idade é apenas um dos fatores considerados na avaliação médica. Histórico familiar, sintomas, fatores de risco e características individuais também precisam ser analisados.

Se algo mudou no funcionamento do seu intestino ou você percebeu um sintoma que persiste, não espere que ele desapareça sozinho. Procure um coloproctologista para entender o que está acontecendo e, se necessário, iniciar a investigação adequada.

Dr. Fernando Zanchet
É coloproctologista, especialista no tratamento do câncer colorretal, com técnicas minimamente invasivas, através da videolaparoscopia e da cirurgia robótica.

Formou-se em Medicina pela UFRGS. Realizou residência médica em Cirurgia Geral no Hospital São Lucas da PUCRS e residência médica em Coloproctologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
É sócio fundador e Coloproctologista do CITRADI - Centro de Tratamento do Aparelho Digestivo em Santa Rosa/RS.


Para agendamento particular ou UNIMED com o especialista:
Telefone/WhatsApp da clínica
: (55) 9225.2425

Site: drfernandozanchet.com.br
Mais conteúdos sobre este assunto, siga: Instagram e Facebook

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Marque sua consulta pelo WhatsApp!